Um Messias crucificado

 Lições da Bíblia1

Paulo escreveu que “os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria” (1Co 1:22). A cruz – a ideia de que Deus, o Messias, foi crucificado – não era o sinal que os judeus esperavam. Tampouco correspondia ao tipo de sabedoria que os gregos desejavam. A cruz ia contra a expectativa de todos. De fato, basta observar como os discípulos reagiram quando Jesus anunciou Sua crucifixão (Mc 8:31, 32; 9:30-32; 10:32-34) para perceber o quanto essa noção lhes soava estranha e repulsiva, especialmente aos judeus. Como já dissemos, os judeus aguardavam um Messias que derrotasse os romanos – o que não aconteceu, ao menos não no sentido militar e terreno de “conquistar”.

Por muitos séculos, a cruz tem sido vista pelos cristãos como um símbolo de fé. Para os cristãos que vivem no século 21, é difícil imaginar quão “absurda” parecia, na mente das pessoas do primeiro século, a ideia de um Deus crucificado.

No entanto, é justamente por ser uma mensagem tão chocante que ela merece nossa mais profunda reflexão. O retrato de um Messias crucificado deixa claro, para todo o Universo, até onde Deus esteve disposto a ir para cumprir o plano da redenção. A própria ideia da cruz – e do Senhor morrendo nela – já nos causa espanto aqui na Terra. Imagine o que significou para os seres sem pecado que conheciam e adoravam o Senhor Jesus no Céu!

4. Leia Atos 13:16-47 (especialmente os versos 26, 38 e 47). O que essa passagem nos ensina sobre o significado da cruz?

Atos 13:16-47 (NAA)2: 16 Paulo, levantando-se e fazendo com a mão sinal de silêncio, disse: — Israelitas e todos vocês que temem a Deus, escutem! 17 O Deus do povo de Israel escolheu os nossos pais e exaltou o povo durante a sua peregrinação na terra do Egito, de onde os tirou com braço poderoso. 18 Suportou os maus costumes do povo durante uns quarenta anos no deserto. 19 E, havendo destruído sete nações em Canaã, deu essas terras como herança ao seu povo. 20 Tudo isso levou cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois disso, lhes deu juízes, até o profeta Samuel. 21 Então eles pediram um rei, e Deus lhes deu Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, e isto durante quarenta anos. 22 E, tendo tirado Saul, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade.” 23 Da descendência deste, conforme a promessa, Deus trouxe a Israel o Salvador, que é Jesus. 24 Antes da manifestação dele, João pregou um batismo de arrependimento a todo o povo de Israel. 25 Quando João estava completando a sua carreira, disse: “Quem vocês pensam que sou? Não sou aquele que vocês esperam. Mas depois de mim vem aquele de cujos pés não sou digno de desamarrar as sandálias.” 26 — Irmãos, descendência de Abraão e todos vocês que temem a Deus, a nós foi enviada a palavra desta salvação. 27 Pois os moradores e as autoridades de Jerusalém, não conhecendo Jesus nem as palavras dos profetas que são lidas todos os sábados, cumpriram as profecias, quando condenaram Jesus. 28 E, embora não achassem nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. 29 Depois de cumprirem tudo o que estava escrito a respeito dele, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. 30 Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos, 31 e durante muitos dias ele foi visto pelos que o tinham acompanhado da Galileia para Jerusalém, os quais são agora as suas testemunhas diante do povo. 32 E nós anunciamos a vocês o evangelho da promessa feita aos nossos pais, 33 como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como também está escrito no Salmo número dois: “Você é meu Filho; hoje eu gerei você.” 34 — E quanto ao fato de que o ressuscitaria dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, Deus o expressou desta maneira: “E cumprirei a favor de vocês as santas e fiéis promessas feitas a Davi.” 35 — Por isso, também diz em outro Salmo: “Não permitirás que o teu Santo veja corrupção.” 36 — Porque tendo Davi, no seu tempo, servido conforme o plano de Deus, morreu, foi sepultado ao lado de seus pais e viu corrupção. 37 Porém aquele a quem Deus ressuscitou não viu corrupção. 38 Portanto, meus irmãos, saibam que é por meio de Jesus que a remissão dos pecados é anunciada a vocês; 39 e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vocês não puderam ser justificados pela lei de Moisés. 40 Portanto, tenham cuidado para que não lhes aconteça o que os profetas disseram: 41 “Vejam, ó desprezadores! Fiquem maravilhados e desapareçam, porque, no tempo de vocês, eu realizo obra tal que vocês não acreditarão se alguém lhes contar.” 42 Quando Paulo e Barnabé estavam saindo, as pessoas pediram que, no sábado seguinte, lhes falassem estas mesmas palavras. 43 Terminada a reunião na sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando com eles, os persuadiam a continuar firmes na graça de Deus. 44 No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. 45 Mas os judeus, vendo as multidões, ficaram com muita inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. 46 Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: — Era necessário pregar a palavra de Deus primeiro a vocês. Mas, como vocês a rejeitam e se julgam indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. 47 Porque o Senhor assim nos determinou: “Eu coloquei você como luz dos gentios, a fim de que você seja para salvação até os confins da terra.

Paulo afirmou que Cristo o enviara para pregar o evangelho. E, por isso, anunciava a mensagem de um Messias crucificado (1Co 1:23). Ele retoma essa ênfase em 1 Coríntios 2:1 a 5. O apóstolo foi fiel à comissão de Cristo. Ao proclamar o evangelho, não recorreu à “ostentação de linguagem ou de sabedoria” (1Co 2:1). Em vez disso, concentrou-se em “Jesus Cristo, e este, crucificado” (1Co 2:2). Sua palavra e sua pregação “não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2:4). Afinal, a “sabedoria humana” é bem diferente do “poder de Deus” (1Co 2:5).

Um Messias crucificado era impensável. O que isso nos diz sobre Deus agir além de nossas expectativas? Por que lembrar disso quando as coisas não saem como queremos?

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1 LIÇÃO da Escola Sabatina. 1 e 2 Coríntios. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n. 525, jul. ago. set. 2026. Adulto, Professor.

2 BÍBLIA Sagrada. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Edição Revista e Atualizada no Brasil, 3. ed. (Nova Almeida Atualizada). Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017.

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